Keittimere
Já era de costume Mariana e algumas pessoas ficarem no escritório após os períodos de reunião. Esse o tempo que a jovem tinha para aproximar-se de Bernardo. O orientador gostava do eu via na moça. Mariana era muito inteligente e sabia marcar presença com suas idéias e argumentos. Bernardo agora notava a existência da moça, isso mantinha no coração dela a crença de que um dia ela a notaria como mulher.
Em um destes dias, Mariana apresentou-lhe um projeto que queria desenvolver. Enfim ela conseguira o entusiasmo de seu amor que pediu que se encontrassem após o período de reuniões. Era a sua chance de declarar seus sentimentos. Foi a hora mais demorada de sua vida.
A moça contava os minutos para a reunião acabar e o encontro, enfim, acontecer. A ele o tempo também parecia martírio, estava apreensivo e em seus olhos notava-se a intenção de ir embora. Desta vez os olhares de Bernardo fitaram a moça por mais vezes o eu só contribuíra para que o coração da moça acelerasse ainda mais.
Há meses o olhar de Bernardo fora o alicerce para libertar a moça da prisão na qual ela estava. Enfim a reunião acabou. Os dois se olharam e sorriram timidamente.
Os dois seguiram juntos até uma outra sala. O caminho parecia longo, os dois estavam mudos. De vez em quando seus olhares cruzavam-se, mas logo se perdiam. Encontraram a sala trancada e Bernardo deixou a moça por alguns segundos para pegar a chave.
Keittimere
Bernardo entrou na sala em que Mariana estava. Como esperado pela jovem ele estava ainda mais lindo. Estava frio. Mariana preferia a elegância do frio à descontração do calor. A elegância de Mariana roubou o olhar de seu amor que lhe admirou por alguns segundos. Os olhos da jovem ao fitá-lo ganharam o brilho dos diamantes. Sentiu tão perto e tão distante. Sentiu-se tão perto e tão distante. Aquele amor que deveria sobreviver em segredo a intrigava.
Ali estava ele, bem à sua frente. Sua voz embalava-a e acalentava-a... Ao mesmo tempo estava tão distante, sua posição em relação à moça impedira-a de acreditar que o teria. Bernardo iniciou seu treinamento e entre assuntos sérios e brincadeiras despertava ainda mais o amor de Mariana, que era alvo de olhares momentâneos. Olhares estes que penetravam sua alma e a enfraquecia mais ainda.
Como era bom olhá-lo e como seu sorriso a fazia feliz. Sua desenvoltura o aproximava da moça, mas sua postura a fazia recuar.
Entre a razão e a emoção, Mariana permanecera por muito tempo. A cada vez que via Bernardo era como se a moça se apaixonasse mais ainda. Com o tempo os dois aproximaram-se e já se consideravam amigos, mas a jovem não se contentava. O sentimento chegara a um ponto em que ela não mais podia suportar. Sua ansiedade em resolver logo a situação a cegara.
A verdade era que a moça desejava com todo ardor dominar os sentimentos do rapaz e por mais que isso parecesse loucura, Mariana tinha a esperança de tê-lo nem que fosse por uma única vez.
Keittimere
Tudo parecia bem melhor agora. Mariana andava pelas ruas esbanjando uma alegria contagiante. Seus amigos de trabalho não puderam deixar de notar que a jovem estava ainda mais bela. Aos olhos de Mariana, as flores desabrochavam com cores lindas, com as mais belas formas e os mais apaixonantes perfumes.
Todas as canções que ouvia pareciam ser feitas para embalar aquele amor que sem querer nascera. Ela já não podia esperar para vê-lo de novo. Queria dizer-lhe que o amava da maneira que ela pudesse. Era como se ele fosse a única luz capaz de fazer qualquer escuridão desaparecer. Todo dia no caminho para o trabalho desejava encontrá-lo, recorria a anjos e santos, mas seus caminhos não se cruzavam. A jovem, ainda mais vaidosa, arrumava-se todos os dias e acendia em sue coração a esperança de enfim vê-lo.
Em nenhum dos livros que houvera lido, encontrara lógica para aquele encantamento. Se ela conseguisse traduzir o seu coração seria incapaz de encontrar palavras para descrever aquele homem que iluminara sua realidade. A semana passou e a ansiedade de Mariana só fazia aumentar. Em nenhum dia conseguira encontrar com aquele homem que mexera tanto com ela.
Enfim chegara a hora de encontrar seu mais novo orientador.
Keittimere
A moça só pensava em como aquilo tudo conspirava a seu favor. Não sabia ao certo o que significava aquele misto de prazer e ternura que preenchia seu coração. Não conseguia entender a capacidade de apaixonar-se por alguém que via pela primeira vez. Seria o fim? Ou apena o começo? Não encontrava respostas, mas a situação a inspirara.

O tempo parece martelar meu coração,
Segundos sem o ver e não suporto mais.
Saudades de ouvi-lo, vontade de tocá-lo.
Sinto-me sonhando embora esteja acordada.

Você que sem querer personifica
O homem ideal que eu criei
Naqueles sonhos de amor
Que por mais surreais desejei.

Esses seus lábios me desconcertam.
Esse seu olhar me alucina.
Essa suavidade que me fascina.

A perfeição na medida certa,
Doce pecado é lhe desejar.
Anseio loucamente por de novo fitá-lo.
Keittimere
Bernardo abriu um sorriso que levara Mariana às nuvens, por alguns instantes a moça fora alvo de seu olhar. A profundidade daqueles olhos resumia o porquê daquele sentimento que estranhamente sentira. “Não pode ser real.” Recusava-se a acreditar. Pelos lábios daquele homem as palavras tornavam-se a mais bela e angelical canção. Sua voz era tão mágica e trazia para ele a atenção de todos. Era como se tivesse o poder de fazer todos acreditarem no que ele apresentava.
Cada palavra levava Mariana a acreditar na possibilidade de seus sonhos se concretizarem. Ele era ideal em cada parte que o compunha. Foi a hora mais rápida de sua, ou pelo menos fora isso que lhe pareceu.
Bernardo era mais velho que Mariana, alcançara sucesso em sua profissão e era reconhecido pelo seu trabalho. Dono de uma sensibilidade admirável fazia amigos com notável facilidade. Sorria sempre e despertava a atenção de todos por sua inteligência e simplicidade.
Perto do encerramento da apresentação, Mariana apreensiva desejava ouvir que ele não estaria ali só por aquele dia. Suas esperanças foram renovadas quando o rapaz com um sorriso no rosto disse-lhe que coordenaria as atividades daquele setor.
Keittimere
Já estava na hora. Mariana precisara correr para não perder muito da apresentação. Frente ao espelho sua beleza reluzia. Procurou dentre suas roupas a mais bela. Como aquela roupa lhe caía bem. Tivera uma boa noite de sono e estava animada. Era uma jovem feliz e bem sucedida em seus planos, apaixonada por sua profissão encarava o trabalho como a maior de suas diversões. Sempre estava rodeada de amigos que a queriam muito bem. A moça era muito bonita, dona de um olhar cativante conquistava a admiração de todos que com ela conviviam.
Saiu de sua casa e em pouco tempo chegou ao seu destino. Seus amigos de trabalho já estavam todos lá. Havia um comentário de que chegaria um novo orientador que passaria a ministrar seu treinamento. A idéia não agradou muito a jovem que afirmava gostar do antigo. E por mais que a fama do rapaz fosse boa ela não estava convencida.
Um sinal estridente tocou, o novo orientador entrara. Mariana retomou a atenção dispersa e ao ver aquele homem seu coração, acostumado só com brisas, sentiu um furacão abalá-lo. Desta vez a moça esquecera sua proteção e estava vulnerável. Ao olhar para Bernardo, entendera o que Bentinho quis dizer com “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Cada centímetro daquele corpo contribuíra para que a moça ficasse pasma. Cada detalhe daquela face remetia à moça a imagem que desenhara em seus sonhos.
Como era encantador... Não podia ser possível alguém parecer tão perfeito. Por um instante a moça desejara uma arrogância imensa por parte daquele rapaz, mas não fora bem assim.
Keittimere
Ampliando um pouco meus horizontes escrevi meu primeiro conto. Postarei em capítulos para que a leitura seja mais agradável. Ele se chama "Amor do Sol Poente" e retrata o quanto o amor pode tirar a razão de qualquer um. E aí... Até onde vale a pena ir para viver um grande amor?!?!