Keittimere

Estive pensando em tudo que o amor já me proporcionou. Essa coisa de chegar na hora certa e lhe fazer, exatamente, o bem que é esperado. Este compartilhar de momentos bons e ruins que é capaz de criar cúmplices e amantes na medida certa.
Um olhar que fala, um abraço que acalenta, um beijo que enlouquece, um amor que se reinventa a cada instante que nos faz mais ideais um para o outro.
Descobertas, invenções, constatações, decisões... E o amor vai se fazendo e crescendo de um jeito que a gente não consegue explicar.
O amor tem dessas coisas. Não são necessárias muitas explicações, os fatos ocorrem naturalmente sem necessitar de cobranças, e a paixão fervorosa se renova. A saudade bate a porta segundos depois de ela ser fechada, e isso não é estranho, afinal a ida representa a perca de uma parte, ainda que seja de conhecimento de todos que ela voltará daqui a pouco.
O amor faz com que um aperto de mão seja suficiente para dar forças para o próximo passo; faz com que um olhar seja suficiente para iluminar toda a escuridão; faz com que duas almas se atraiam sem que seja necessário estar ciente da atração.
Faz com que o céu fique mais bonito, a lua mais romântica, as estrelas mais brilhantes, a vida mais possível.
O amor nos faz sonhar com o que antes nos parecia impossível, nos faz acreditar em final feliz, nos faz se entregar. Faz-nos crescer juntos a cada partilha, nos faz amadurecer a cada passo, nos faz compartilhar as alegrias alheias como se fossem nossa.
O amor faz com que eu seja a cada dia mais sua.
Keittimere
Só fazem dois dias e já estou com saudades, pode até parecer exagero, mas não é.
Parece-me que ainda posso sentir seu cheiro em minha pele, o teu gosto ainda está intacto como se o último beijo tivesse acontecido há minutos. Fecho os olhos e posso ver cada detalhe de sua face como se estivesse em minha frente.
Meu inconsciente parece gritar sentindo a distância, antes mesmo que eu pense nela. Ouvir sua voz parece suficiente, mas queria abraçá-lo.
É como se o meu sol particular faltasse, como se o frio só fosse ceder quando sua presença fosse possível de novo.
Keittimere
Eu já não pensava mais que existiria um homem ideal, um romance ideal e muito menos um conto de fadas real. De repente, nossos narizes se encontraram e este encontro fora seguido por O BEIJO.
Nos dias posteriores fui me encontrando, e quando me disse: - Se isso não é amor, eu não sei o que é. Perdi-me de novo, e não quis mais me encontrar. Sonhei os sonhos de amor mais irreais e meu príncipe fez todos eles se realizarem. E eu esperei até que decidimos que não era suficiente. Namoramos e namoramos e namoramos. E crescemos, amadurecemos e amamos e amamos...
Vibrei a cada conquista, sofri a cada dor que lhe tirara o sono, desejei seus beijos mesmo acabando de ganha-los e me perdi nos seus braços. E fizemos do teto nosso cinema, do colo o maior aconchego, do sorriso o maior alicerce e do nosso amor o que sempre esperamos.
E sorrimos, e choramos, e brigamos, e nos reconciliamos. E nos amamos mais que antes, menos que depois...
Criamos uma vida, a compartilhamos com a maior das alegrias, a abraçamos com a maior das vontades, e deitamos por que o filme começaria, e continuamos por que ainda não zeramos o jogo, posamos para a foto uma, duas, três vezes e seus olhos continuaram fechados.
Confidenciamos segredos, dividimos perrengues, nos entendemos como ninguém jamais seria capaz, nos beijamos como ninguém jamais seria capaz e nos completamos porque as peças ideais se encaixam.
E sorrimos, e cantamos, e dançamos, e abraçamos, e crescemos, e amadurecemos, e amamos... Um amor diferente de bases sólidas e vontades inexplicáveis...
E fizemos um, dois, três, quatro anos e nos amamos por que nosso manual de instruções já estava ao poder do outro antes mesmo de querermos lê-lo.
Keittimere
Estavam deitados olhando para o teto e pensando nos acontecimentos de mais um dia da continuação de seu roteiro de viagens "intranacionais". Ela não sabia ao certo o que ele pensava, mas sabia que a sintonia e a ligação iam muito além da unidade daquele abraço.
Encostou sua cabeça no peito quente de seu amado e pôde ouvir seu coração palpitando tão forte e tão frágil. O seu dedo indicador contornou a face da amada como se auxiliasse na memorização de cada traço da imagem daquela mulher que ele tanto amara.
A proximidade a fez pensar em várias metáforas que fossem capaz de exemplificar aquele sentimento, mas nada seria justo à sua imagem, no rosto daquele homem estava uma forma diferente de perfeição, não que fosse algum tipo de deus, mas ele era exatamente a medida certa, a outra face que só se encontra uma vez...
Ele que mantera acesa toda luz que ela conhecera desde o primeiro beijo, ele que fora seu porto seguro na hora em que as tempestades fizeram-se mais presentes...
Ele que sem esforço nenhum, tornou-se o príncipe encantado mais fantástico e mais real.
Keittimere
Tem dias que o sol brilha tanto que não conseguimos enxergar um palmo a nossa frente.
Tem dias que chove tanto que não conseguimos caminhar na rua.
Outros dias está tão frio que nem uma lareira consegue nos aquecer.
Ainda hoje existe dias que fazemos o melhor de nós e não conseguimos ser vistos.É exatamente nesse momentos que percebemos que há várias pessoas ao nosso redor que só querem a nossa FELICIDADE...
Às vezes sonho em ir embora pra Pasárgada... lá talvez tudo seja melhor...
Aqui somos tão vaidosos que nos preocupamos até com a opinião de quem não nos interessa... achamos que a infelicidade nos atormenta, mas na verdade nós que a procuramos... Aqui nós não vemos que a felicidade só depende de nós... Aqui a gente só não se preocupa em fazer a vida valer a pena...
Como eu queria ser como Manuel Bandeira, como que eu queria que todos fossem pra Pasárgada nem que fosse só em sonhos...Já li tanto sobre isso que queria encontrar esse lugar, pra me achar...

**Para os viajantes de plantão:Pasárgada era uma cidade da antiga Pérsia e é atualmente um sítio arqueológico na província de Fars, no Irã...Na literatura brasileira, Manuel Bandeira (1886-1968)que vivia com a certeza de que poderia morrer a qualquer momento devido à Tuberculose, consagrou o nome Pasárgada como um lugar ironicamente ideal, em Vou-me embora pra Pasárgada.

Essa cidade ficticia seria um lugar onde tudo é melhor, um ideal que fazia o nosso poeta Crente num amanhã melhor... um lugar interior perfeito pra gente ir passar uns tempos quando quer desembaraçar moinhos. Eu costumo ir à Pasárgada quase sempre, mas um pouquinho sem ir já me deixa com saudades. Sentirei falta destas página que fazem parte da minha Pasárgada.

Queridos amigos, desejo-lhes um Natal fantástico no qual Cristo renasça em cada coração e permita que a Pasárgada esteja próxima de vocês.
Desejo um Ano Novo cheio de conquistas e surpresas agradáveis.

Até a volta
Keittimere
Estava sentada no sofá da sala ainda inacabada, ouvindo, na companhia de minha mãe -musa e espelho-, o áudio-livro de "Cartas entre amigos" (escrito por Gabriel Chalita e Fábio de Melo). Primeiramente, não pude deixar de pensar em como as letras estão se transformando na modernidade e pressa do mundo contemporâneo, talvez um pensamento típico de uma futura professora de Português defensora da leitura como um instrumento indispensável na criação de uma identidade cultural e intelectual, não menosprezando, é claro, esta "nova" manifestação das letras.
Senti-me flutuar nas palavras que voavam no ar indo de encontro aos meus ouvidos e pousando em meu coração. Sentimentalismo ou não, as lágrimas escorriam sem que eu pudesse contê-las. Refletindo sobre as palavras escritas, desejei poder comprar um exemplar para cada amigo. Foi quando uma frase chamou-me atenção "Viver quebrando pedras e plantando flores" de Cora Coralina, a quem dedicarei um espaço digno num futuro próximo. Sinceramente, não sei qual das ações é mais difícil.
O mundo moderno nos traz uma série de boas opções, coisas novas, atuais, atraentes; em contrapartida nos traz também os chamados medos contemporâneos e questionamentos. Fiquei me perguntando de onde vem tantas tragédias, tragédias, erroneamente, explicadas pelo desejo divino, sem sequer considerar a ação do homem "irracional""
Peguei-me fazendo perguntas como: Quem decide que é a hora de uma criança ir? Quem tira de uma mãe, que seria cuidadosa, a chance de ver um filho crescer? Quem dá a uma mãe um filho para ser maltratado?
"Há questionamentos que não combinam com explicações".
E desejei pelas 7 horas de "leitura dinâmica" participar daquelas histórias, não como personagem, mas como narrador onisciente, capaz de extrair o que é segregado em cada lado, capaz de transformar as experiências em uma escada panorâmica para o crescimento e o sucesso, por que a carência de signos linguísticos impediria-me de explicar as razões por trás das ações.
Desejei não precisar crescer para não ter que entender certas coisas. Desejei ficar mergulhada em minhas alegrias de bolso.
Keittimere
Estava ela mais uma vez, sem perceber, se auto martirizando com as pedras que tacaram nela há tempos e que ela continuava a atirar em si.
Há pouco, ou há muito, descobrira que seu castelo fora construído sob alicerces de areia que não suportara, e nem poderia, nenhuma tempestade. E as tempestades eram muitas e tão fortes...
Quando ela descobriu outras alternativas. Alternativas que proporcionavam-lhe momentos de realização e satisfação dos quais não gozara há muito. Alternativas que lhe traziam uma alegria imensurável e superficial.
Seu coração, acalentado com as possibilidades de ser feliz, não enxergava que as bases continuavam a ser construídas com areia, uma aceitável tentativa de auto-preservação.
Seus sonhos agora eram mais constantes, suas alegrias duravam mais que um dia ou dois, as tempestades que desmoronaram seu castelo não mais lhe atingia, mas a sua proteção ainda era muito vulnerável.
Faltava-lhe perceber que a única coisa que realmente faltava para si, não era um inchaço de auto-estima, mas sim uma boa dose de amor próprio.
Mas seus sonhos eram tão belos, que ninguém ousaria dizer que ela estava errada.
Ela estava feliz, ela está feliz... Quem a culparia por buscar novas fontes de alegria.
Beijo Cláudia querida