Keittimere
Estava sentada no sofá da sala ainda inacabada, ouvindo, na companhia de minha mãe -musa e espelho-, o áudio-livro de "Cartas entre amigos" (escrito por Gabriel Chalita e Fábio de Melo). Primeiramente, não pude deixar de pensar em como as letras estão se transformando na modernidade e pressa do mundo contemporâneo, talvez um pensamento típico de uma futura professora de Português defensora da leitura como um instrumento indispensável na criação de uma identidade cultural e intelectual, não menosprezando, é claro, esta "nova" manifestação das letras.
Senti-me flutuar nas palavras que voavam no ar indo de encontro aos meus ouvidos e pousando em meu coração. Sentimentalismo ou não, as lágrimas escorriam sem que eu pudesse contê-las. Refletindo sobre as palavras escritas, desejei poder comprar um exemplar para cada amigo. Foi quando uma frase chamou-me atenção "Viver quebrando pedras e plantando flores" de Cora Coralina, a quem dedicarei um espaço digno num futuro próximo. Sinceramente, não sei qual das ações é mais difícil.
O mundo moderno nos traz uma série de boas opções, coisas novas, atuais, atraentes; em contrapartida nos traz também os chamados medos contemporâneos e questionamentos. Fiquei me perguntando de onde vem tantas tragédias, tragédias, erroneamente, explicadas pelo desejo divino, sem sequer considerar a ação do homem "irracional""
Peguei-me fazendo perguntas como: Quem decide que é a hora de uma criança ir? Quem tira de uma mãe, que seria cuidadosa, a chance de ver um filho crescer? Quem dá a uma mãe um filho para ser maltratado?
"Há questionamentos que não combinam com explicações".
E desejei pelas 7 horas de "leitura dinâmica" participar daquelas histórias, não como personagem, mas como narrador onisciente, capaz de extrair o que é segregado em cada lado, capaz de transformar as experiências em uma escada panorâmica para o crescimento e o sucesso, por que a carência de signos linguísticos impediria-me de explicar as razões por trás das ações.
Desejei não precisar crescer para não ter que entender certas coisas. Desejei ficar mergulhada em minhas alegrias de bolso.
1 Response
  1. D'AUMON Says:

    pois é, as vezes crescer ou evoluir as faculdades mentais nos diminui.
    mas talez como narrador onisciente dessas histórias vc não diminuiria pois entenderia que cada história dessa tem um motivo plausível para acontecer!

    bju, bonita!