Keittimere
O sono parece não chegar,
A vontade de vê-lo parece ser maior que o cansaço.
O desejo de ouvir sua voz parece ser a única coisa que sinto
Parece que estou a viver um sonho.

O sonho há tempos iniciado do qual não quero acordar;
O sonho ideal que me acalma e me exalta;
O sonho ideal que me completa e dá-me o desejo de mais;
O sonho ideal que o torna mais eu e mais sua.

Através de você pude conhecer-me;
Pude entrar em contato direto com a felicidade;
Pude sentir-me realizada por simplesmente existir.

Quis que você continuasse a ser meu príncipe;
Quis que você estivesse pensando em mim;
Quis você ao meu lado e... Adormeci.
Keittimere
A vida de Maria parecia estar de pernas para o ar. Decepcionada com as pessoas que a rodeava e prestes a jogar tudo para o alto, Maria conheceu João. João era uma pessoa não muito levada a sério, mas a moça enxergou nele o que muitos custavam ver.
Sua personalidade impar conquistava a todos que com ele se deparavam e com Maria não fora diferente. O dono do aconchego fez-se o suporte para a moça se sustentar.
Nascia ali uma amizade sincera, eterna e muitas vezes mal vista. Poucos viam nas atitudes de João a pureza de uma simples amizade. Aos poucos os laços que os uniam se fortaleceram mais, mais e mais.
O rapaz fizera-se essencial. Seu olhar, sorriso, abraço e amor fortaleciam Maria que já não se via sem ele ao seu lado. Confusões e certezas marcavam seus dias, a paixão os consumiu. O destino e seus caprichos os afastaram para talvez nunca mais se unirem (uma pena).
Agulhadas foram dadas e hoje talvez, os buraquinhos já estejam todos preenchidos. João ganhou uma admiradora e fã número 1.
Hoje Maria encontra-se na situação inicial. A amizade de João lhe faz falta. Resta um desejo... Que essa admiração seja seu eterno invariável.
Keittimere
Quem disse que para ser bonito precisa ser gostoso?
Que gordinhos não arrumam namoradas?
Que Contos de Fadas não existem?
Que príncipes só chegam a cavalos brancos?

Quem disse que ser “louco” faz mal?
Que chorar ao fim da novela é criancice?
Que assistir romances é coisa de fraco?
Que quem “perde” tempo lendo um livro é CDF?

Quem disse que para tapar a chuva a sombrinha precisa ser bela?
Que para ser Feliz é preciso ter muito dinheiro?
Que rir muito, ou se divertir com coisinhas é bobagem?
Que para ser Homem tem que “pegar” todo mundo?

Quem disse que se pode viver sozinho?
Que um homem e uma mulher não podem ser só amigos?
Que ninguém está satisfeito com o que tem?
Que as coisas não se ajeitam com finais felizes?

O sol só não nasce para quem esquece de abrir as janelas. As pessoas têm o costume de pensar que ser “bonzinho” e diferente é ruim. Dar o primeiro passo e tentar que as coisas sejam diferentes não é exclusivo às ficções. É preciso que sejamos nós mesmos e que não tenhamos medo de fazer a DIFERENÇA.
Keittimere

A princesinha encontrava-se sentada em seu belo palacete, com o coração apertado por acreditar que ainda existe um príncipe encantado que espera a hora mais pertinente de aparecer.
A cada dia mais apaixonada por alguém que sequer viu, ela caminha com a certeza de que o sonho de amor ideal é possível e está próximo.
Em seu caminho, por várias vezes, deparou-se com pessoas fantasiadas de príncipes com discursos infames. Esses sapinhos deixavam em seu coração por algum momento a esperança, a calma e a plenitude que há tempos não vivia.
Vários momentos a alegraram, no entanto, ela continuou a esperar uma música de funda para que só assim o primeiro beijo ocorresse. Muitos a repudiavam, mas em seu coração só havia espaço para o desejo, cada vez maior, de viver seu eterno e derradeiro amor.
Ainda hoje, ela espera. Talvez seu príncipe esteja tão perto que lhe cause uma espécie de dificuldade de vê-lo. Mas ela não perde as esperanças de encontrar quem será capaz de unir-se à ela na salvação do reino dos sonhos.
Torço para que seu príncipe chegue logo para provar que contos de fadas são possíveis.

Para a Gegê
Keittimere
Pensar na forma como as coisas ocorrem é muito estranho.
Tentando buscar alguma razão para os acontecimentos, acabamos por questionar e crescer.


Nós nascemos por acaso, e por acaso mudamos tudo ao nosso redor. Aos poucos nós crescemos e temos nossa vida decidida por todos, menos por nós mesmos. Pensamos, temos vontades, curiosidades e uma inocência... uma dependência.
O nosso corpo aprende a funcionar cada vez mais rápido e nos faz ter sensações até então desconhecidas. Agora ninguém precisa falar ao nosso ouvido que cor é aquela, afinal, nós já lembramos sozinhos. Quando crescemos percebemos que as atitudes de quem nos cerca muda a nossa vida. Cada relação estabelecida muda-nos um pouco mais.
Começamos então a viver o oposto, quem já quis não precisar de ninguém, hoje sente-se feliz por precisar. A incompreensível Dicotomia do Ser. As pessoas começam a exercer um domínio sobre os outros e isso é recíproco.
Vemos tudo acontecer e o tão sonhado desejo de escolha começa a irritar e amedrontar. Não saber o que vem depois nos causa a sensação de impotência e ao mesmo tempo faz sentirmo-nos reais.
Os super-heróis deixam de estar nos quadrinhos e passam a estar pelo caminho. E ao percorrer este caminho, nos deparamos com a situação de passar para o banco da frente e vemos que agora sim somos responsáveis por todo o resto.
Keittimere
O Sol, que pelas ruas da cidade
Revela as marcas do viver humano
Sobre teu belo rosto soberano
Espalha apenas pura claridade.

Nasceste para o Sol; és mocidade
Em plena floração, fruto sem dano
Rosa que enfloresceu, ano por ano
Para uma esplêndida maioridade.

Ao Sol, que é pai do tempo, e nunca mente
Hoje se eleva a minha prece ardente:
Não permita ele nunca que se afoite

A vida em ti, que é sumo de alegria
De maneira que tarde muito a noite
Sobre a manhã radiosa do teu dia.

Vinícius de Moraes