O mar de medos afoga-me,
As ondas cada vez maiores
Parecem querer me puxar...
Mas ainda há forças para chegar à margem.
Em chão firme tudo parece mais calmo,
As respostas vão surgindo
Cabe a mim selecioná-las,
Cabe a mim querer vê-las.
Sinto-me cada vez mais plena,
Embora a luz queira cegar-me,
O brilho mostra-se sensível
E quero degustá-lo ao meu bel prazer.
Enfim as peças se encaixam,
Mas ainda assim parte da figura está obscura.
Ter certezas traz-me insegurança,
Talvez mais do que as incertezas de outrora.

Tudo parecia normal e um pouco desanimado devido a problemas que talvez nem devam ser comentados... pois bem.
Saí de casa às 19h30 arrasada pelo possível atraso e ao mesmo tempo parecendo uma criança prestes a ganhar um brinquedo novo. Ao chegar, o local impresionou-me. Quão bonito era aquele Teatro, e aqueles lustres... parecia que nem esta tão perto de nós.
1h30' depois do combinado, eles chegaram... O meu friozinho na barriga denunciava a minha ansiedade, meu coração acelerado mostrava o quanto precisava de calma. A cada música que se passava sentia-me mais perto da "Pasárgada" há tempos idealizada, cada minuto parecia me transportar para uma imensidão de ternura que me afogava em meus próprios delílios e me acalentava no colo de quem mais me ama, Deus.
Eu que tanto quis estar ali, realmente estava. O meu príncipe ao meu lado precisando de mais apoio que eu. A renovação de espirito que eu tanto precisava estava cada vez mais próxima. Cada lágrima, que em súplica ou agradecimento, escorria em minha face, limpava minha alma e me completava...
Graças a uma banda que serviu de instrumento para que Deus falasse comigo um pouquinho mais.
Obrigada Rosa de Saron
Para fechar a noite, uma ida à Casa dos Silvas, Penedo, para provar um pouco da renovação que acontecera em nossa vida. Papos, sorrisos, abraços e olhares encerraram talvez uma das melhores noites da minha vida. nunca estive tão bem comigo mesma.
A alegria toma conta de mim,
Assisto com admiração o seu olhar.
Em seu rosto seu sorriso brilha,
Ilumina meus passos me encaminha.
Sinto sua presença com a calma de um anjo,
Em seus braços o colo do qual preciso,
Em seu coração o amor que sonhei,
Somente sentindo a paz que me proporciona.
Eu o adoro de forma incalculável,
Você que faz meu coração acelerar,
Você que dá-me tudo que preciso.
Você que com seu abraço me aqueceu,
Com seu beijo me enlouqueceu,
E que vivendo, se fez meu.

Estava aqui pensando... O que pesa mais nas horas nas quais agimos com quem nos rodeia? Os atos, decisões e palavras em relação às pessoas são frutos do nosso coração ou da nossa mente?
Eu tento fazer o melhor de mim para todos, mas sempre espero reciprocidade e nessas horas tudo do que tenho medo me atinge de forma mais intensa. Por que esperamos reciprocidade? Por que quase nunca há? Por que temos consciência e nõ mudamos? Por que filmes são tão perfeitos? Os personagens são de mentira, mas os desejos são reais e no fim tudo dá certo para a gente não deixar de acreditar. Cada dia, cada beijo, cada olhar, cada abraço tem intensidades diferentes mesmo em se tratando das mesmas pessoas. E o amor ideal não tem que ser perfeito, só REAL.
Esperar que os outros sintam o mesmo que nós talvez seja injusto, afinal o melhor que eles têm a nos oferecer é diferente do melhor que oferecemo-lhes. Sempre acho que o máximo dos outros não me é suficiente, talvez por que me veja mais intensa e dedicada, como consequência o meu máximo é mais completo. Hipocrisia ou não, sempre acho que amo mais, respeito mais, quero mais e acerto mais, quando na verdade não se trata de mensurar e sim de absorver o que os outros têm a me acrescentar. Ninguém é tão diferente que não se possa atrair, ou tão igual que não se possa repelir. Quebra-cabeças com peças iguais só são legais no Jardim de Infância, e mesmo ali, é chato ver coisas apenas se encostando, sem completarem-se...
O pior é que tenho consciência disso, mas não consigo mudar.
Estavámos cada vez mais próximos. Seu olhar parecia enfetiçar-me a ponto de colocar-me dependente de você. Cada segundo parecia uma deliciosa eternidade que fazia-me completa pelo simples fato de sentir-me desejada.
Suas mãos tocavam-me causando-me arrepios maravilhosos, sentia sua boca em meu ouvido dizendo-me exatamente o que eu queria ouvir. Aquele sopro quente que me brindava com uma plenitude...
Senti suas mão segurando meu rosto e seus dedos que contornavam minha boca sedenta por um beijo. Um beijo que ainda que não fosse proibido, fora roubado de nós pelos caprichos do destino.
A cada segundo aproximava-se mais, cada milímetro de distância entre nós insistia em me afastar do paraíso. Seu nariz já tocova o meu e senti aquele fantástico friozinho na barriga, prestes a receber o beijo que a tempos esperei.
Seus lábios aos poucos tocaram os meus, me presenteando com um maravilhosos beijo e deixando-me um sabor de desejo ainda maior. Seu beijo levou-me às nuvens e quando ele acabara, seu calor ainda fazia meu corpo queimar. Seus braços entrelaçados em minha cintura davam-me a proteção que eu sempre quis.
Suas mãos percorriam as curvas de meu corpo fascinando-me. Senti sua mão direita forçando meu corpo de encontro ao seu. Suas mãos deslizavam em meus cabelos, sua boca chegara ao meu pescoço. Nossos corpos completaram-se.
A linguagem na ponta da língua
tão fácil de falar e de entender.
A linguagem na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, equipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entre cortadado namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
"Carlos Drummond de Andrade"
"Porque se olhares em mim verás...
Não sou tão má quanto pensas;
Apenas não sou tão corajosa como imaginas...
Pareço forte mais no fundo sou fraca
Fera porém sou bela
As vezes chata mas no meu íntimo há sentimentos diversos
Pareço metida porém se olhares em meu semblante com seu coração
Verás apenas humildade
Calma sempre...
Posso até parecer solitária ...
É que realmente tenho poucos amigos...
A diferença é que os poucos que tenho não valem metade de um seu ...
Pense nisso e depois me julgue
Lembre-se que se me julga pela aparência...sou apenas o reflexo de sua ignorância"
Clarice Lispector