Keittimere
Tem dias que o sol brilha tanto que não conseguimos enxergar um palmo a nossa frente.
Tem dias que chove tanto que não conseguimos caminhar na rua.
Outros dias está tão frio que nem uma lareira consegue nos aquecer.
Ainda hoje existe dias que fazemos o melhor de nós e não conseguimos ser vistos.É exatamente nesse momentos que percebemos que há várias pessoas ao nosso redor que só querem a nossa FELICIDADE...
Às vezes sonho em ir embora pra Pasárgada... lá talvez tudo seja melhor...
Aqui somos tão vaidosos que nos preocupamos até com a opinião de quem não nos interessa... achamos que a infelicidade nos atormenta, mas na verdade nós que a procuramos... Aqui nós não vemos que a felicidade só depende de nós... Aqui a gente só não se preocupa em fazer a vida valer a pena...
Como eu queria ser como Manuel Bandeira, como que eu queria que todos fossem pra Pasárgada nem que fosse só em sonhos...Já li tanto sobre isso que queria encontrar esse lugar, pra me achar...

**Para os viajantes de plantão:Pasárgada era uma cidade da antiga Pérsia e é atualmente um sítio arqueológico na província de Fars, no Irã...Na literatura brasileira, Manuel Bandeira (1886-1968)que vivia com a certeza de que poderia morrer a qualquer momento devido à Tuberculose, consagrou o nome Pasárgada como um lugar ironicamente ideal, em Vou-me embora pra Pasárgada.

Essa cidade ficticia seria um lugar onde tudo é melhor, um ideal que fazia o nosso poeta Crente num amanhã melhor... um lugar interior perfeito pra gente ir passar uns tempos quando quer desembaraçar moinhos. Eu costumo ir à Pasárgada quase sempre, mas um pouquinho sem ir já me deixa com saudades. Sentirei falta destas página que fazem parte da minha Pasárgada.

Queridos amigos, desejo-lhes um Natal fantástico no qual Cristo renasça em cada coração e permita que a Pasárgada esteja próxima de vocês.
Desejo um Ano Novo cheio de conquistas e surpresas agradáveis.

Até a volta
Keittimere
Estava sentada no sofá da sala ainda inacabada, ouvindo, na companhia de minha mãe -musa e espelho-, o áudio-livro de "Cartas entre amigos" (escrito por Gabriel Chalita e Fábio de Melo). Primeiramente, não pude deixar de pensar em como as letras estão se transformando na modernidade e pressa do mundo contemporâneo, talvez um pensamento típico de uma futura professora de Português defensora da leitura como um instrumento indispensável na criação de uma identidade cultural e intelectual, não menosprezando, é claro, esta "nova" manifestação das letras.
Senti-me flutuar nas palavras que voavam no ar indo de encontro aos meus ouvidos e pousando em meu coração. Sentimentalismo ou não, as lágrimas escorriam sem que eu pudesse contê-las. Refletindo sobre as palavras escritas, desejei poder comprar um exemplar para cada amigo. Foi quando uma frase chamou-me atenção "Viver quebrando pedras e plantando flores" de Cora Coralina, a quem dedicarei um espaço digno num futuro próximo. Sinceramente, não sei qual das ações é mais difícil.
O mundo moderno nos traz uma série de boas opções, coisas novas, atuais, atraentes; em contrapartida nos traz também os chamados medos contemporâneos e questionamentos. Fiquei me perguntando de onde vem tantas tragédias, tragédias, erroneamente, explicadas pelo desejo divino, sem sequer considerar a ação do homem "irracional""
Peguei-me fazendo perguntas como: Quem decide que é a hora de uma criança ir? Quem tira de uma mãe, que seria cuidadosa, a chance de ver um filho crescer? Quem dá a uma mãe um filho para ser maltratado?
"Há questionamentos que não combinam com explicações".
E desejei pelas 7 horas de "leitura dinâmica" participar daquelas histórias, não como personagem, mas como narrador onisciente, capaz de extrair o que é segregado em cada lado, capaz de transformar as experiências em uma escada panorâmica para o crescimento e o sucesso, por que a carência de signos linguísticos impediria-me de explicar as razões por trás das ações.
Desejei não precisar crescer para não ter que entender certas coisas. Desejei ficar mergulhada em minhas alegrias de bolso.
Keittimere
Estava ela mais uma vez, sem perceber, se auto martirizando com as pedras que tacaram nela há tempos e que ela continuava a atirar em si.
Há pouco, ou há muito, descobrira que seu castelo fora construído sob alicerces de areia que não suportara, e nem poderia, nenhuma tempestade. E as tempestades eram muitas e tão fortes...
Quando ela descobriu outras alternativas. Alternativas que proporcionavam-lhe momentos de realização e satisfação dos quais não gozara há muito. Alternativas que lhe traziam uma alegria imensurável e superficial.
Seu coração, acalentado com as possibilidades de ser feliz, não enxergava que as bases continuavam a ser construídas com areia, uma aceitável tentativa de auto-preservação.
Seus sonhos agora eram mais constantes, suas alegrias duravam mais que um dia ou dois, as tempestades que desmoronaram seu castelo não mais lhe atingia, mas a sua proteção ainda era muito vulnerável.
Faltava-lhe perceber que a única coisa que realmente faltava para si, não era um inchaço de auto-estima, mas sim uma boa dose de amor próprio.
Mas seus sonhos eram tão belos, que ninguém ousaria dizer que ela estava errada.
Ela estava feliz, ela está feliz... Quem a culparia por buscar novas fontes de alegria.
Beijo Cláudia querida